Profissional responde

Mamãe bailarina

17:16

Minha filha está com sete meses e, após esse período de adaptação à nova rotina, voltei a dançar. As duas horas de aula são como uma pausa especial, um momento só meu, pra relaxar e extravasar as emoções. Esse tempo é comandado por uma professora cheia de carisma e talento, o que torna a atividade ainda mais divertida e interessante. E é com ela, a minha teacher, a entrevista de hoje da coluna Profissional Responde. Andreza Bastos é bailarina por formação, coreógrafa, sócia-diretora do Studio A, e mãe de Sofia (11 anos) e Miguel (3 anos) - filhos lindos, como ela faz questão de dizer! Vamos saber um pouco mais sobre os benefícios da dança para as mamães?   

O sorrisão é a marca registrada dela! Fotos: Ingrid Dragone 

Quando suas alunas voltam a dançar, após o parto, quais as maiores dificuldades que você percebe nelas, em termos de movimentos, consciência corporal e capacidade de adaptação ao ritmo das aulas?
Elas reclamam bastante da dificuldade para memorizar as sequências, da falta de condicionamento, o que tem a ver com a necessidade de um trabalho cardiovascular, falam da sensação do corpo mais pesado e da perda de flexibilidade, principalmente nas costas e pernas. No decorrer do tempo, com as aulas, as coisas vão se normalizando. Claro que o corpo não é mais o mesmo. É preciso fazer um trabalho mais intenso. Eu, por exemplo, após os meus dois partos, melhorei muito, mas trabalho com dança. O problema é que essa recuperação exige foco e depois do parto a mulher não tem tanto tempo para se dedicar ao corpo, porque tem outras prioridades, mas dá para ir voltando aos poucos. 

Em que a dança pode ajudar nesse processo de recuperação da autoestima e de fazer a vida voltar "ao normal"?
O início é difícil, porque dá aquela sensação de "será que vou conseguir?". Depois de ser mãe o olhar da mulher se volta para o filho, é um momento especial, tudo novo. Com o tempo, o cansaço e desgaste da rotina levam à necessidade de um tempo de reflexão, para pensar em si mesma. É fundamental isso, para se viver bem, para a saúde física e mental. É importante até para a relação com o filho. Ele precisa saber que o mundo não gira em torno dele, precisa saber que existe também o tempo do pai, da mãe, e vai perceber que a mãe não deixa de ser mãe porque vai para a dança ou fazer outra atividade. Quem faz dança faz porque gosta, por prazer, o que ajuda muito nesse processo todo.

Muito alongamento!

A mulher que pratica dança por muitos anos está mais preparada para o parto do que aquela que nunca fez uma atividade física regular?
A dança ajuda no processo da gravidez nos aspectos da respiração, da consciência corporal, na consciência sobre a alimentação, mas na hora do parto a dor é a mesma para todo mundo. Meus dois partos, por exemplo, foram cesárea. Por conta da minha formação em dança, tenho a bacia "deformada", além disso, tenho a estrutura pequena, e minha médica me aconselhou a não ter parto normal, porque eu poderia sofrer e o bebê também. Então, isso tudo é relativo.

Você dançou nas duas gravidezes. Quais benefícios teve com a atividade? Indica?
Dancei até uma semana antes de parir. Percebi que não sentia o cansaço e o sono que outras grávidas sentiam. Eu me sentia normal, gravidez não é doença. Não tinha medo, mas é importante ter a orientação do médico, porque existem casos que exigem mais cuidado. Voltei a dançar três meses depois dos partos, bem aos poucos, porque sentia um estirão na barriga, o que é normal, e também tinha outra prioridade naquele momento. 

Na sua visão de profissional apaixonada, por que a dança é tão envolvente e pode ser considerada a atividade perfeita para as novas mamães?
Ter um filho gera um desgaste emocional e físico muito grande, você não se cuida, não dorme direito. Na dança, você respira, se concentra, vê o que seu corpo é capaz de fazer, tudo vai além de um movimento. Essa é a diferença da dança para a musculação, por exemplo. Quem dança se conhece um pouco mais, sai dos próprios limites, tenta se superar a cada momento.

Por tudo isso eu amo dançar! E você? Ficou com vontade?

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