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Dificuldade para amamentar não deve ser uma culpa

Esse texto é para confortar as mamães com uma história parecida com a minha, para preparar as que ainda vão amamentar, e para sensibilizar as pessoas com relação às mamães que não puderam amamentar.

O Dia Mundial da Amamentação (1º de agosto) foi instituído em 1992 pela Aliança Mundial de Ação pró-amamentação (World Alliance for Breastfeeding Action - WABA) com o objetivo de incentivar a criação de bancos de leite e para conscientizar as mulheres sobre a importância do aleitamento materno. O leite da mãe fornece para o bebê os anticorpos e nutrientes que ele precisa, pelo menos, nos seis primeiros meses de vida. Além disso, a amamentação estreita os laços entre mãe e filho e traz benefícios para a mulher, a exemplo do retorno mais rápido do útero ao lugar e da perda de peso. Só que amamentar não é apenas colocar a criança no peito. Os cursos, as orientações profissionais e as cartilhas esclarecedoras estão aí para provar isso. Tudo é mais complexo e nem sempre acontece como a gente deseja. E é nesse contexto que entra muitas vezes a cobrança cruel das pessoas e, consequentemente, o sentimento de culpa da mãe.  

Amamentar é sinônimo de muito amor ao filho. É doação de tempo e sacrifício. Restrições alimentares, noites de sono perdidas, e dores nos seios causadas pela pega incorreta do bebê geralmente fazem parte da missão. Sobre mim, posso dizer que sentia um prazer imenso ao amamentar a minha filha, era como se o mundo estivesse parado ali, naquele momento especial. Sonhei com isso e tomei providências antes do parto, usando, com a orientação de uma enfermeira, a concha para preparar o bico do seio. Infelizmente, quando minha bebê completou 15 dias de nascida, meu leite deu uma baixa por causa de um pico de estresse e tive que recorrer ao leite artificial. Depois disso foi uma luta intensa pelo resgate daqueles momentos só de nós duas.

Foto: Daniel Queiroz (o papai)
Passei a comer muitos alimentos à base de milho (dizem que aumenta a produção de leite), me esforcei bastante para beber água (não tenho o hábito), fiz uso de Sitocinom, tomei Plasil uma vez para o leite descer (e não tomei mais, porque creio que a substância passa para bebê através do leite), usei o bico de silicone nos seios para facilitar a pega, e fiz a ordenha frequente com bomba, buscando dar o melhor de mim para minha filha. Obviamente ela já estava acostumada com a mamadeira e foi doloroso pensar que as coisas não voltariam a ser como no início. Então, comecei a colocar a minha bebê no peito antes de dar a mamadeira. Com essa estratégia, ela passou a mamar somente no meu peito durante todo o dia (eu me realizei e ela não me machucava!), mas quando chegava a noite, no horário de ela dormir, o berreiro só cessava com a mamadeira. Depois de um tempo ela passou a mamar no peito somente de madrugada – uma vez, quando acordava. Enfim, consegui amamentar, com muito suor, até os três meses dela. 

Contei toda essa história para mostrar a minha persistência, regada a muitas lágrimas. Foram momentos de vitória (muita felicidade!) e frustração (quase depressão). Eu quis muito e não consegui o suficiente... E foi difícil, depois de tudo isso, sofrer com a cobrança das pessoas. Até hoje sinto, às vezes, um olhar de repreensão/lamentação por não estar amamentando – e olha que minha filha já tem oito meses! Levei um tempo para superar o sentimento de culpa. Hoje sei que fiz o que esteve ao meu alcance (quem acompanhou de perto sabe) e não sou menos mãe porque não estou amamentando. Sou, sem modéstia, uma mãe dedicada, cuidadosa e amorosa. Nada vai tirar isso de mim. 

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