Pular para o conteúdo principal

BLW, uma nova maneira de alimentar o bebê

Você já ouviu falar em BLW (Baby Led Weaning)? A sigla significa “desmame guiado pelo bebê”. O termo foi criado por Gill Rapley, consultora britânica em saúde, e o método propõe a introdução da alimentação complementar ao leite de maneira que o bebê (a partir dos seis meses) se alimente sozinho, com as próprias mãos, conforme suas necessidades orgânicas, habilidades motoras, e ritmo. 

Faz um tempo que pensei em falar sobre BLW aqui no blog e, há uns quinze dias, acabei sendo contatada pela nutricionista Micheane Alves, que é idealizadora da página Nutripediatra e atua em uma clínica de nutrição com enfoque na área materno infantil. Achei interessante fazer uma entrevista e compartilhar informações sobre o método. Confira o resultado! 

Blog Essa Mãe - O método é mais prático para os pais do que o tradicional? Ou a bagunça natural feita pela criança gera muita dor de cabeça?
Micheane - As mães dizem que é mais prático em relação a refeições fora de casa, principalmente em restaurantes, porque a criança come os mesmos alimentos que a família, mas é importante que os alimentos sejam saudáveis e ideais para cada fase do bebê. Caso contrário, é uma ótima oportunidade para que todos revejam seus hábitos e se possível e necessário, melhorem. Já a bagunça é a principal desvantagem do BLW, porém, as mães relatam que é uma "bagunça gostosa". O bebê não sabe que o alimento é pra comer, então, primeiro ele vai pegar, amassar, jogar pra cima, jogar no chão, passar no cabelo, no olho... Conforme a criança vai aprendendo a comer, a bagunça vai diminuindo.

Blog Essa Mãe - Qual a vantagem desse método para a criança? Os adeptos argumentam que o BLW estimula a função mastigatória do bebê e a sua socialização com a família na hora das refeições. Em quais outros aspectos a técnica contribui com o desenvolvimento da criança e com a relação que ela irá construir com o alimento e o ato de se alimentar?
Micheane - O bebê aprende a explorar o alimento, experimentar, no seu próprio ritmo, ou seja, está no controle do que vai comer e da quantidade, o que estimula o controle da saciedade. Além disso, o bebê aprende o que é macio, escorregadio, o que é mais durinho, aprende tamanhos, formas, texturas, peso, cheiro, ou seja, todos os sentidos são desenvolvidos. Outra vantagem é que se você oferece todos os tipos de alimentos saudáveis ao bebê, é menos provável que ele desenvolva transtornos alimentares ou seletividade, e lá na frente ele não terá dificuldade para comer alimentos saudáveis.

Blog Essa MãeA substituição da técnica tradicional por essa nova técnica não leva a criança a se alimentar menos, já que o BLW vira uma “brincadeira” com o alimento?
Micheane - A mãe não deve se preocupar em relação a isso, porque o leite materno, ou a fórmula infantil, continua sendo a principal fonte de nutrição nessa fase. Não podemos esperar que o bebê queira muitos alimentos numa primeira tentativa. Assim que ele entender que esses "brinquedinhos" são pra comer, ele irá mastigar, explorar e engolir. O método deve complementar o aleitamento e não substituí-lo. Existe um equilíbrio entre mamadas e BLW. Se o bebê mamar mais, vai comer menos, e vice-versa. 

Blog Essa Mãe - Não é aconselhável que a mãe ofereça um cardápio misto, ou seja, com papinha e alimento sólido? 
Micheane - É fundamental desconstruir a ideia de quantidades ideais propostas pelo método tradicional e passar a confiar no instinto natural. Mais importante que a quantidade é a qualidade dos alimentos. A gente não controla no aleitamento materno, assim como não controla o BLW. É como se fosse a "livre demanda" dos alimentos sólidos, o bebê sabe a hora que ele comer, o que comer e o quanto comer. Muitas mães têm receio de dar alimentos sólidos e optam pelas papinhas e aos poucos vão introduzindo os alimentos sólidos. A criança que come papinhas e sólidos tem muito mais benefícios do ponto de vista nutricional, neurológico, motor e cognitivo do que aquela que ingere apenas papinhas.

Blog Essa Mãe - O método BLW apresenta restrições?
Micheane - Nesse primeiro momento, não é aconselhável ofertar grãos. O bebê ainda não tem o desenvolvimento motor de pegar cada grão e levar a boca. Esse desenvolvimento começa por volta dos nove meses, quando há o movimento de pinça. 


"Não é porque você não gosta de brócolis que você não deve oferecer ao seu filho, muito pelo contrário!"

Blog Essa Mãe - E se a criança tiver ânsia de vômito ou engasgar ao ingerir fragmentos dos alimentos sólidos? Como a mãe deve introduzir a alimentação sólida em casos como esse, além, obviamente, de supervisionar o momento da refeição?
Micheane - Existe a chance de engasgo, mas é muito pequena. O bebê tem um reflexo chamado gag-reflex. Quando coloca o alimento na boca muito rápido, vem a ânsia e, antes de você tomar qualquer atitude, ele mesmo já colocou pra fora e aprendeu que na próxima vez não poderá ser tão rápido. Uma vez que o bebê leva o alimento à boca, ele vai mastigar com a gengiva, vai explorar o alimento, mastigar novamente, e depois levar à parte posterior da cavidade oral para engolir, e sempre respeitando o tempo dele. Quando você oferece o alimento na colher para a criança, a colher vai diretamente para a parte posterior da boca e, por reflexo, ela vai engolir, e isso propicia mais o engasgo.

Blog Essa Mãe - Acredito que pelo fato de os alimentos não estarem batidos a criança deve desenvolver melhor o paladar. Correto? 
Micheane - Se a mãe ofertar todos os tipos de frutas e vegetais, em seguida, o arroz, feijão e as carnes, a possibilidade de a criança se tornar seletiva é muito pequena. Não é porque você não gosta de brócolis que você não deve oferecer ao seu filho, muito pelo contrário! 

Blog Essa Mãe - Existe um perfil de criança que se adapte melhor ao método BLW?
Micheane - Já se sabe que aos seis meses a criança está apta a comer sólidos, não é nada amassado, triturado ou batido no liquidificador. No caso de frutas e vegetais, os alimentos são entregues in natura (frutas e vegetais) e cozidos no vapor (vegetais). É aconselhável que a mãe converse com o pediatra e o nutricionista e faça uma avaliação para saber se está tudo bem para o bebê iniciar a alimentação complementar. É necessário observar os sinais de maturidade que o bebê apresenta, como sentar sozinho na cadeirinha, sem ficar tombando para os lados, e levar os objetos à boca. Em relação ao bebê prematuro com seis meses de idade cronológica, não necessariamente ele tem seis meses em idade corrigida, então, às vezes, não é ainda o período apropriado para iniciar o método. Assim também ocorre com o bebê que apresenta algum distúrbio de deglutição. 

Blog Essa Mãe - Como se deve introduzir cada alimento? Com um cardápio por dia?
Micheane - Recomendo começar com as frutas, por serem mais saborosas, e aos poucos introduzir os vegetais no horário do almoço. É aconselhável que a mãe converse com um nutricionista para adequar um cardápio personalizado de acordo com as necessidades fisiológicas do bebê.

Blog Essa Mãe - Existe uma forma de apresentar o alimento para facilitar o manuseio pela criança? 
Micheane - Quanto menor a criança, maior será o pedaço do alimento, para que ela consiga segurar e manusear. Os cortes devem ser em forma de palitos para facilitar a exploração. 


Leia também:





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dezesseis dicas para ajudar o bebê a dormir melhor

Uma das coisas que deixam qualquer mãe muito cansada (e até estressada) é o sono intranquilo ou irregular do bebê. Na verdade, é impossível criar uma receita infalível e adaptável a todos os casos, pensando em fazer a criança dormir melhor. Os bebezinhos, como nós, são pessoas (!), com suas dificuldades, manias, vontades e particularidades. Para tentar ajudar quem está passando por essa fase de noites mal dormidas, vou listar alguns truques simples, todos testados com minha filha e com bons resultados. Anote aí!

1. No início, o bebê tende a trocar o dia pela noite. Assim, desde que ele nasce, é bom ensinar o que é dia e o que é noite. Durante o dia ele deve cochilar com a luz natural e acostumado com todos os sons da rotina da casa. Já à noite, defina um horário, escureça o quarto (pode ser parcialmente, se preferir) e diminua o volume. Fiz isso com minha filha, definindo o game over às 20h. Coincidentemente ou não, é o horário que ela dorme diariamente até hoje (ela tem 10 meses).
2. O…

Campanha Lave as Mãos para Pegar no Bebê!

Atenção, mamãe! Não ligue se a sua visita (gente da família ou não) torcer o nariz por "precisar" lavar as mãos para pegar no seu bebê. Percebi que, especialmente, as pessoas mais velhas apresentam maior resistência a esse tipo de pedido, acham frescura. Passar álcool em gel depois da lavagem das mãos? Colocar uma fraldinha em cima da roupa para carregar o bebê? Piorou ainda... E qual o seu papel nessa hora? Ser firme e zelar pela saúde do seu filho! 
Você sabia que existe o Dia Mundial da Higienização das Mãos? Pois é! Todo 05 de maio as campanhas se intensificam, lembrando que o simples ato de lavar as mãos previne doenças como infecção nos olhos, infecção estomacal e respiratória, gripes, resfriados, diarreia, doenças de pele, dor de garganta, infecção no ouvido e erupções na pele. Segundo a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) - instituição da ONU (Organização das Nações Unidas) - e a OMS (Organização Mundial da Saúde), é possível reduzir em até 40% a incidênc…

Fotos do seu filho que você não deve postar nas redes sociais

Está rolando nesta semana uma brincadeira nas redes sociais chamada "Desafio da Maternidade". Trata-se de uma corrente em que as mães marcam outras dez grandes mães, assim por elas consideradas, em suas linhas do tempo do Facebook para que cada uma poste três fotos de momentos que foram marcantes para elas no quesito "ser mãe". O assunto gerou um pouco de polêmica e até há uma suspeita de que a tal corrente tenha sido criada por um grupo de pedófilos para a "coleção" de novas fotos de crianças e divulgação dessas imagens em sites "indevidos". Boato ou não, a questão é que cada mãe toma sua própria decisão sobre postar ou não as fotos dos seus filhos nas redes sociais. Bem, a ideia deste texto é apenas orientar as mamães sobre que tipos de fotos dos pequenos nunca postar. 


1. Não poste fotos do seu filho nu - Não interessa se na imagem ele está tomando banho, trocando a fraldinha, ou experimentando uma roupa nova. Os pedófilos gostam de procurar f…