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BLW, uma nova maneira de alimentar o bebê

15:09

Você já ouviu falar em BLW (Baby Led Weaning)? A sigla significa “desmame guiado pelo bebê”. O termo foi criado por Gill Rapley, consultora britânica em saúde, e o método propõe a introdução da alimentação complementar ao leite de maneira que o bebê (a partir dos seis meses) se alimente sozinho, com as próprias mãos, conforme suas necessidades orgânicas, habilidades motoras, e ritmo. 

Faz um tempo que pensei em falar sobre BLW aqui no blog e, há uns quinze dias, acabei sendo contatada pela nutricionista Micheane Alves, que é idealizadora da página Nutripediatra e atua em uma clínica de nutrição com enfoque na área materno infantil. Achei interessante fazer uma entrevista e compartilhar informações sobre o método. Confira o resultado! 

Blog Essa Mãe - O método é mais prático para os pais do que o tradicional? Ou a bagunça natural feita pela criança gera muita dor de cabeça?
Micheane - As mães dizem que é mais prático em relação a refeições fora de casa, principalmente em restaurantes, porque a criança come os mesmos alimentos que a família, mas é importante que os alimentos sejam saudáveis e ideais para cada fase do bebê. Caso contrário, é uma ótima oportunidade para que todos revejam seus hábitos e se possível e necessário, melhorem. Já a bagunça é a principal desvantagem do BLW, porém, as mães relatam que é uma "bagunça gostosa". O bebê não sabe que o alimento é pra comer, então, primeiro ele vai pegar, amassar, jogar pra cima, jogar no chão, passar no cabelo, no olho... Conforme a criança vai aprendendo a comer, a bagunça vai diminuindo.

Blog Essa Mãe - Qual a vantagem desse método para a criança? Os adeptos argumentam que o BLW estimula a função mastigatória do bebê e a sua socialização com a família na hora das refeições. Em quais outros aspectos a técnica contribui com o desenvolvimento da criança e com a relação que ela irá construir com o alimento e o ato de se alimentar?
Micheane - O bebê aprende a explorar o alimento, experimentar, no seu próprio ritmo, ou seja, está no controle do que vai comer e da quantidade, o que estimula o controle da saciedade. Além disso, o bebê aprende o que é macio, escorregadio, o que é mais durinho, aprende tamanhos, formas, texturas, peso, cheiro, ou seja, todos os sentidos são desenvolvidos. Outra vantagem é que se você oferece todos os tipos de alimentos saudáveis ao bebê, é menos provável que ele desenvolva transtornos alimentares ou seletividade, e lá na frente ele não terá dificuldade para comer alimentos saudáveis.

Blog Essa MãeA substituição da técnica tradicional por essa nova técnica não leva a criança a se alimentar menos, já que o BLW vira uma “brincadeira” com o alimento?
Micheane - A mãe não deve se preocupar em relação a isso, porque o leite materno, ou a fórmula infantil, continua sendo a principal fonte de nutrição nessa fase. Não podemos esperar que o bebê queira muitos alimentos numa primeira tentativa. Assim que ele entender que esses "brinquedinhos" são pra comer, ele irá mastigar, explorar e engolir. O método deve complementar o aleitamento e não substituí-lo. Existe um equilíbrio entre mamadas e BLW. Se o bebê mamar mais, vai comer menos, e vice-versa. 

Blog Essa Mãe - Não é aconselhável que a mãe ofereça um cardápio misto, ou seja, com papinha e alimento sólido? 
Micheane - É fundamental desconstruir a ideia de quantidades ideais propostas pelo método tradicional e passar a confiar no instinto natural. Mais importante que a quantidade é a qualidade dos alimentos. A gente não controla no aleitamento materno, assim como não controla o BLW. É como se fosse a "livre demanda" dos alimentos sólidos, o bebê sabe a hora que ele comer, o que comer e o quanto comer. Muitas mães têm receio de dar alimentos sólidos e optam pelas papinhas e aos poucos vão introduzindo os alimentos sólidos. A criança que come papinhas e sólidos tem muito mais benefícios do ponto de vista nutricional, neurológico, motor e cognitivo do que aquela que ingere apenas papinhas.

Blog Essa Mãe - O método BLW apresenta restrições?
Micheane - Nesse primeiro momento, não é aconselhável ofertar grãos. O bebê ainda não tem o desenvolvimento motor de pegar cada grão e levar a boca. Esse desenvolvimento começa por volta dos nove meses, quando há o movimento de pinça. 


"Não é porque você não gosta de brócolis que você não deve oferecer ao seu filho, muito pelo contrário!"

Blog Essa Mãe - E se a criança tiver ânsia de vômito ou engasgar ao ingerir fragmentos dos alimentos sólidos? Como a mãe deve introduzir a alimentação sólida em casos como esse, além, obviamente, de supervisionar o momento da refeição?
Micheane - Existe a chance de engasgo, mas é muito pequena. O bebê tem um reflexo chamado gag-reflex. Quando coloca o alimento na boca muito rápido, vem a ânsia e, antes de você tomar qualquer atitude, ele mesmo já colocou pra fora e aprendeu que na próxima vez não poderá ser tão rápido. Uma vez que o bebê leva o alimento à boca, ele vai mastigar com a gengiva, vai explorar o alimento, mastigar novamente, e depois levar à parte posterior da cavidade oral para engolir, e sempre respeitando o tempo dele. Quando você oferece o alimento na colher para a criança, a colher vai diretamente para a parte posterior da boca e, por reflexo, ela vai engolir, e isso propicia mais o engasgo.

Blog Essa Mãe - Acredito que pelo fato de os alimentos não estarem batidos a criança deve desenvolver melhor o paladar. Correto? 
Micheane - Se a mãe ofertar todos os tipos de frutas e vegetais, em seguida, o arroz, feijão e as carnes, a possibilidade de a criança se tornar seletiva é muito pequena. Não é porque você não gosta de brócolis que você não deve oferecer ao seu filho, muito pelo contrário! 

Blog Essa Mãe - Existe um perfil de criança que se adapte melhor ao método BLW?
Micheane - Já se sabe que aos seis meses a criança está apta a comer sólidos, não é nada amassado, triturado ou batido no liquidificador. No caso de frutas e vegetais, os alimentos são entregues in natura (frutas e vegetais) e cozidos no vapor (vegetais). É aconselhável que a mãe converse com o pediatra e o nutricionista e faça uma avaliação para saber se está tudo bem para o bebê iniciar a alimentação complementar. É necessário observar os sinais de maturidade que o bebê apresenta, como sentar sozinho na cadeirinha, sem ficar tombando para os lados, e levar os objetos à boca. Em relação ao bebê prematuro com seis meses de idade cronológica, não necessariamente ele tem seis meses em idade corrigida, então, às vezes, não é ainda o período apropriado para iniciar o método. Assim também ocorre com o bebê que apresenta algum distúrbio de deglutição. 

Blog Essa Mãe - Como se deve introduzir cada alimento? Com um cardápio por dia?
Micheane - Recomendo começar com as frutas, por serem mais saborosas, e aos poucos introduzir os vegetais no horário do almoço. É aconselhável que a mãe converse com um nutricionista para adequar um cardápio personalizado de acordo com as necessidades fisiológicas do bebê.

Blog Essa Mãe - Existe uma forma de apresentar o alimento para facilitar o manuseio pela criança? 
Micheane - Quanto menor a criança, maior será o pedaço do alimento, para que ela consiga segurar e manusear. Os cortes devem ser em forma de palitos para facilitar a exploração. 


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