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Mamãe-nutricionista dá dicas para a introdução de alimentos na rotina dos bebês

Eu disse que ela ia aparecer vez ou outra aqui no Blog Essa Mãe para falar de alimentação infantil saudável com a gente! Na entrevista de hoje, Mi Moraes, a blogueira do Comidinhas de Bebê (@comidinhasdebebe), esclarece dúvidas e indica estratégias para a introdução de novos alimentos na rotina dos bebês. Mi está terminando a sua formação em Nutrição e é "mainha", como ela diz, de Bêzão, agora com três anos. Ela criou o blog por conta da alimentação do filhote e a atividade acabou virando coisa séria. "Sentia uma imensa alegria em ajudar mães a descomplicar a cozinha e evitar o uso de industrializados, mostrando como preparar uma alimentação prática e saudável. Decidi me formar em Nutrição por causa das perguntas de alto nível das minhas seguidoras, sobre tecnologia dos alimentos, intolerâncias, neofobias alimentares", pontua. Quanto amor, né? Acompanhe as dicas super bacanas dessa mamãe-nutricionista!

Papinha doce de abóbora com goiaba, no vapor. Receita no blog Comidinhas de Bebê!

Blog Essa Mãe - Como a mãe pode tornar o alimento, bem como o momento da refeição, atrativo para a criança?
Mi - Sobre o momento da refeição, sugiro fazer com que a criança se sinta pertencida ao lar. Ela pode sentar à mesa com os pais ou almoçar junto com a pessoa responsável por ela, não deve comer assistindo televisão, e precisa estar num ambiente calmo. É importante evitar broncas à mesa e os famosos rótulos, como “este é meu mais velho, é o que não come” ou falar algo do tipo “vamos ver se hoje você vai comer” ou mesmo dizer, quando a criança finalmente come, algo como "você comeu tudo? Não acredito!". O inverso também deve ser evitado, não é aconselhável dizer algo como “este só não come pedra porque é dura”. Rótulos atrapalham a mudança dos nossos filhos. Sobre o alimento atrativo, o que o bebê gosta é de ter contato com texturas, cores, cheiro agradável, sabor, e sobretudo, o tato. A mãe deve permitir que a criança pegue na comida.

Blog Essa Mãe - Qual a maior dificuldade das mães ao tentar fazer a transferência da alimentação exclusivamente com leite para papinhas? O que elas devem fazer para tornar essa fase mais tranquila?
Mi - Muitas mães não estão efetuando o desmame pelas papinhas, que é a introdução tradicional, mas aderindo ao BLW (Baby-led Weaning), ou ao semi-BLW, porém, independentemente do método utilizado, a dica é manter o aleitamento junto à introdução alimentar. A mama deve ser oferecida até os dois anos da criança ou mais e não deve ser retirada de forma brusca. Assim a introdução do alimento será de forma gradativa e o lactente não sentirá tanta dificuldade na transição. A introdução de alimentos, com uma consistência diferente do leite materno, é um momento de grande aprendizado para o lactente, portanto, ter muito amor e paciência é importante para o sucesso.

Blog Essa Mãe - A papinha do bebê pode levar sal?
Mi - As papinhas caseiras são chamadas de papinhas principais e não papinhas salgadas. Já a papinha industrializa é chamada de salgada por conter sódio em sua formulação. O sal deve ser introduzido aos 12 meses, quando o bebê começará a comer a comida da casa. O ideal é colocar pouco sal e, para isso, temos o gersal e o sal de ervas. Muitos alimentos já contém a quantidade de sal necessária, como a carne vermelha e as verduras. Quando a criança é maior, ainda assim a mãe deve evitar alimentos como salgadinho, miojo e seu tempero adicional, todos com excesso de sódio. Cozinhar para seu filho é uma forma de se comunicar com ele.


Feijoadinha natureba.

Blog Essa Mãe - Onde pesquisar receitas confiáveis para bebês, além do blog Comidinhas de Bebê, claro?
Mi - No livro que lançarei em breve, sou muito criteriosa nas indicações, e no bom e completíssimo livro “Introdução alimentar”, da nutricionista Natália Werutsky. 

Blog Essa Mãe - Quando a criança não gosta do alimento, a mãe deve insistir?
MiSim, de dez a doze vezes e com diferentes apresentações no prato. Se a criança não gosta de cenoura, faça um bolo de cenoura ou cenoura chips e sempre diga: “você comeu cenoura”. Não gosta de maçã, então faça brincadeiras de adivinhação do nome das frutas com os olhos vendados. Não bebe água, então molhe uma plantinha com refrigerante todos os dias e, quando estiver ressecada, volte a molhar com água que ela viverá, mostre que a planta é como nosso corpo. As vivências ajudam muito. 

Blog Essa Mãe - Se a mãe não quiser oferecer carne para o bebê, como ela pode suprir a necessidade de proteína? Fale um pouco sobre a alimentação vegetariana e a alimentação vegana.
Mi Primeiro é preciso saber qual linha seguirá: o que não come alimentos de origem animal, mas come ovo (ovovegetariano), outro já pode o leite (lactovegetariano), tem casos que pode o leite e o ovo (ovolactovegetariano), o outro pode outras carnes animais, como o peixe, frango, frutos do mar (semi-vegetariano), ou o que não come alimento nem consome itens de origem animal, como roupas, cosméticos, dentre outros (vegano ou vegetariano total). Com a definição, a nutricionista vai poder montar as perfeitas substituições para o cardápio do bebê. O maior desafio é a vitamina B12, que é de origem animal. Neste caso, será preciso fazer suplementação. De qualquer forma, grãos, leguminosas e cereais, por exemplo, sempre serão utilizados. Caso a mãe não opte pela linha vegetariana, pode evitar o uso da carne vermelha todos os dias, porque, para atrair o consumidor, ela leva uma coloração artificial que é altamente tóxica para o bebezinho, fora o excesso de hormônios que, inevitavelmente, gera sequelas como a puberdade precoce...

Blog Essa Mãe - Quando a mãe volta a trabalhar, precisa armazenar o leite materno. Como fazer esse armazenamento corretamente?
Mi Inicialmente ela precisa decidir se a extração será manual ou elétrica. Em seguida, adquirir vasilhas ou saquinhos específicos para estocagem e lembrar da perfeita higienização dos seios antes da ordenha, que deve ser iniciada após o "shake", o movimento de sacudir as mamas. É importante deixar um espaço no frasquinho porque, quando congelado, o leite ocupa mais espaço. O frasquinho deve ser imediatamente tampado, refrigerado, e etiquetado com a data e a hora da coleta. Antes de oferecer ao bebê, o leite deve ser aquecido em banho-maria e sempre em movimentos circulares, para que o descongelamento seja uniforme. O leite nunca deverá ser recongelado, caso o bebê não tenha consumido por completo. Na geladeira, dura 12 horas, e no congelador, 15 dias. A mãe precisa saber o volume (em ml) recomendado para cada fase do bebê.

Blog Essa Mãe - Quais alimentos não são recomendados para bebês? 
Mi - Não se indica mel, sal, gordura, açúcar, embutidos e industrializados, porque o organismo do bebê ainda não está preparado para esses alimentos.

Blog Essa Mãe - Qual a falha mais comum das mães ao definir o cardápio do bebê? Como fazer um cronograma adequado?
Mi - A falha mais comum é apelar para a praticidade, porque realmente o mundo está uma loucura, mas... o filho não pode ser vitimado, então, a regra é se programar. Montar um cardápio mensal e fixar na geladeira para que o responsável possa seguir é uma dica legal. Fazer a lista de compras mensal e semanal e ter sempre a casa abastecida com os alimentos que serão usados também otimiza o cardápio. 



"A falha mais comum é apelar para a praticidade."

Blog Essa Mãe - Por falar em praticidade, a famosa bolachinha de maisena faz mal? 
Mi - Quando os dentinhos estão nascendo, o normal é que a criança sinta menos fome, fique mais chatinha e irritada. Vejo que muitas mães dão biscoito de maisena para coçar a gengiva, quando, na verdade, o que está acalmando é o sabor e não o biscoito. Quando ele acaba, o bebê volta a sentir o incômodo. Aí vira um ciclo, a mãe dá mais e mais, e isso foi passando por gerações e o mito popular tornou-se uma verdade-mentirosa (risos). Melhor usar mordedores. O biscoito de maisena contém emulsificante lecitina de soja, muito açúcar, soro de leite, gordura hidrogenada, fermentos químicos, bicabornato, pirofosfato ácido de sódio, aromatizante, melhorador de farinha metabissulfito de sódio, além do glúten. Parece bonitinho, mas é ordinário.

Blog Essa Mãe - Se o bebê come bem, mas não gosta de variar o cardápio, a mamãe deve se preocupar? Como ela deve fazer para aos poucos conseguir introduzir novos alimentos na rotina do bebê?
Mi Se as visitas ao pediatra evidenciam um crescimento normal, não há o que se preocupar, mas se a mamãe, mesmo assim, deseja variar é ótimo, sempre com paciência para enfrentar a aversão aos novos alimentos. O bebê é muito esperto e sabe quando a mãe está impaciente, ele fica pior que ela. A ideia é apresentar o mesmo alimento em diferentes formatos e texturas, de forma gradativa. 

Blog Essa Mãe - Pode dar engrossantes para fazer o bebê dormir à noite toda?
Mi - Muitas vezes o bebê não chora por fome e sim porque está com gases, refluxo, e o motivo mais engraçado de todos: porque está com sono. Ele tenta dormir e não sabe como, tudo é muito novo e aprender a dormir também é um sofrimento. Iniciar compreendendo o choro do bebê é o primeiro passo. Se o choro é realmente fome, existe a famosa mamada dos sonhos ou mingau de produtos naturais, como o amaranto, quinoa, aveia, milho, todos poderão substituir os engrossantes industrializados. Muitos dos produtos para fazer "engrossantes" contêm açúcar, aromatizantes e, em alguns casos, sabores artificiais.  A Sociedade Brasileira de Pediatria diz que não se deve oferecer alimentos somente para prover calorias, é necessário pensar nos valores nutricionais. 



Creminho de legumes com macarrão integral.

Blog Essa Mãe - Muitas vezes esse tipo de situação gera pequenos conflitos entre gerações, porque as vovós querem oferecer alimentos que eram habituais antigamente e que hoje não são recomendados.
Mi - As noras e mamães precisam lembrar que as vovós viveram numa época diferente, ter paciência e um bom diálogo ajudará na convivência após a chegada do baby. A vovó não quer disputar nada com a mãe da criança, ela só quer ajudar, e tem muita vovó dando conselhos valiosos! Nós também seremos criticadas quando formos avós, não sei por quais motivos, mas seremos. Ao invés de maltratar a vovó que sugere o engrossante, a mamãe pode preparar um delicioso mingau de amaranto e servir pra ela também. A vovó vai ver que é mais saudável e gostoso, e, se for vaidosa, vai adorar, porque é um alimento funcional (risos). Depois é só dar uma beijoca na vovó e ser feliz, sem neura.


Leia também:

Dez motivos para não oferecer papinha industrializada ao bebê

DanoNão!

BLW, uma nova maneira de alimentar o bebê

Sopinha da vovó


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