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Coisas que talvez nunca tenham te falado sobre ser mãe

A maternidade não é cor-de-rosa. Quando o bebê finalmente chega aos seus braços, não acontece uma mágica que transforma o seu mundo em um conto de fadas. Quando a gente se torna mãe, um turbilhão de sentimentos surge dentro de nós, e não é só amor que a gente passa a viver. O medo, a tristeza, a insegurança, tudo isso nos confunde, especialmente por causa da grande renúncia que a missão materna exige. Ter um filho é maravilhoso, transformador, mas não é como nas propagandas de fraldas descartáveis e de shampoo infantil, em que uma atmosfera angelical se forma, trazendo felicidade extrema. Há os dias cinzentos e é preciso falar dessa realidade. 

Foto: Daniel Queiroz (o papai)

Os cuidados com o bebê são intensos e muitas vezes as angústias da mãe não são consideradas, a complicada adaptação à nova condição é esquecida. Ela pode estar sentindo depressão, uma vontade imensa de desaparecer, de voltar a ter a rotina de antes. Ela pode estar se perguntando o que fez da sua vida e se sentir culpada por pensar assim, e guardará esse sentimento, porque, obviamente, vão achá-la louca. A sua doação sem medidas, as restrições de horários, de vontades, ou o simples e incorrespondido desejo de tomar um banho mais demorado, levam a mulher a chorar, mesmo que num cantinho, sem que ninguém veja.

O crescimento do filho significa o crescimento da mãe. São fases de prazer, mas também dolorosas. Ao longo dessa caminhada ela poderá se questionar se decidir ser mãe foi a escolha certa. Ela sentirá vontade de ficar só, de sair por horas e horas sem se preocupar com nada, perderá a paciência, sentirá cansaço físico e emocional, e terá vergonha de falar sobre isso, porque a sociedade exige que ela seja a mãe superpoderosa, aquela do comercial de tv; sempre sorridente, bem arrumada, e que dá conta com perfeição de todas as tarefas relativas aos filhos. E, certamente, para a mãe real, será difícil assumir que é difícil.   

A verdade é que toda mãe tem dias tristes e de exaustão. Mãe também é ser humano, com fraquezas, debilidades, duelos de emoções. Ser mãe é abdicar, chorar, é se perguntar se aquilo tudo vai passar, especialmente porque nem sempre a mãe ama o filho desesperadamente desde o início, embora o instinto materno, o de proteção, floresça em paralelo.   

Muitas vezes o amor vem com o dia a dia e os cuidados. Vai crescendo de maneira inexplicável, a ponto de a mãe se perguntar como um sentimento tão forte pode surgir de uma relação sem tanta reciprocidade, pelo menos, no início. Com o tempo, a mãe passa a sentir saudade do bebê quando ele dorme, mesmo estando muito cansada, e quer sentir por ele a dor, a febre, o mal-estar. O tempo passa rápido. A vida volta ao normal, com adaptações, é claro. A mãe aprende a fazer o que é possível naquele momento e a se recriminar menos. 

Decidir ser mãe não é como comprar um "pacote da felicidade", com manual de instrução e recheado somente de coisas boas. Não é fácil, não tem enganação, mas vale a pena. A intimidade, o amor por aquele pedacinho de gente feito da gente, o sorriso puro e o olhar que procura pela mãe, tudo isso, faz a gente se sentir mais viva e grata a Deus.   


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