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Não existe mentirinha

Certo dia, após procedimento para exames de rotina, sentada à mesa do laboratório para o desjejum, acabei acompanhando uma cena que me deixou incomodada. Chegou ao local onde eu estava um garotinho prestes a fazer coleta de sangue. Ele tinha lá seus três anos de idade e ouvia da mãe: "não dói, você vai ver que não dói". Eu sei que a intenção dela era encorajar o filho, mas ele contra-argumentava diante da insistência da mãe com aquela "pequena" mentira, porque ele sabia que doía mesmo. 

Ela não precisava mentir. Ela precisava dizer que doía um pouco, mas que logo ia passar e que era para o bem dele. Mentira é mentira. Não existe mentirinha e mentirão. Mentira para o bem e mentira para o mal. Não existe "mentirinha saudável". Mentira é sempre ruim. Isso é lição de vida, desde a primeira infância. Falar a verdade muitas vezes é difícil, porque significa a exposição de sentimentos, fragilidades e condutas, mas é fundamental para a formação de um caráter íntegro.   

É importante que a mãe fale a verdade para os filhos desde a primeira infância. Foto: Ingrid Dragone

A mãe que mente para o filho vai fazer com que ele perca a confiança nela. O garotinho dessa história que eu narrei sentiu a dor da picada da agulha. Da próxima vez, como vai acreditar que a mãe está falando a verdade? Mesmo que realmente esteja?

A mãe que mente para o filho ensina o filho a mentir. Ele vai achar que é normal, porque vê o exemplo disso na própria mãe e na prática. E o pior, a mãe também poderá perder a confiança nele, porque ele vai aprender a mentir quando for conveniente. Aprendendo a mentir, ele vai assumir que provocou a briga na escola? Vai contar que foi ele quem quebrou o brinquedo do colega? Vai dizer que contou uma mentira?

A mãe que mente para o filho ensina o filho a não admitir erros e a não se responsabilizar por eles. Na cabeça da criança, esconder as falhas poderá ser o mais importante, independente das consequências. Além disso, a criança poderá, em muitas situações, não saber dimensionar os problemas, pela própria imaturidade, e acabar acobertando acontecimentos graves. 

Quando eu era pequena, podia ter quebrado o vaso chinês vindo da Europa nas costas de camelos asiáticos, mas contava a minha mãe, ciente da bronca. Minha mãe fala disso até hoje com o maior orgulho, diz a todo mundo que sempre confiou em mim. É tão legal construir uma relação assim!

Falar a verdade tem a ver com ser honesto, com os outros e com a gente. Usar mentiras para "se safar" é gerar desconfortos e conflitos futuros, é "meter os pés pelas mãos", porque como se diz por aí, "mentira tem perna curta". E é verdade. Tropeça mais ali adiante, junto com quem a inventou.  


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