Pular para o conteúdo principal

A história de uma mãe de dois casais de gêmeos

Um casal de gêmeos. E um ano e meio depois... Outro casal de gêmeos! E sabe o que mais aconteceu? Quando os filhos Felipe e Natália tinham apenas dois anos e Sinval e Camila tinham três, ela ficou viúva. Parece história de filme, livro, novela? Foi assim que Vitalina Silva se tornou mãe, uma super mãe! Nascida em Cachoeira e hoje com 50 anos (ninguém diz!), Vita, como é chamada pelos amigos, formou-se em Letras Vernáculas, com pós-graduação na área de Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica, e conta pra gente como conseguiu criar os quatro filhos, trabalhar e estudar, tudo sem culpa ou desespero. 


Vitalina e seus dois casais de gêmeos!

Blog Essa Mãe - Como você reagiu com a notícia de primeiro casal de gêmeos? E na segunda gravidez? A segunda foi planejada?
Vitalina - Quando soube da primeira gravidez estava casada há quatro anos. Com a notícia de que eram gêmeos, foi uma grande festa, tudo foi planejado, organizado, um enxoval todo bordado, e fiz suspense em relação ao sexo dos bebês até o dia do parto. Na segunda gravidez, foi uma surpresa que nos deixou apreensivos por questões financeiras, mas só no primeiro momento, logo depois veio a festa, a torcida e a felicidade por ser outro casal. Não foi uma gravidez planejada, eu estava amamentando os gêmeos mais velhos quando engravidei de novo. O detalhe é que eu já havia doado parte do enxoval, tive que comprar tudo de novo!

Blog Essa Mãe - Conseguiu amamentar todas as crianças? Até que idade? 
Vitalina - Amamentei nas duas vezes, mas tive que intercalar com outros alimentos. Na primeira gravidez, Camila mamou por mais tempo, até sete meses, Sinval mamou só quatro meses. Na segunda gravidez, Felipe, mamou até os seis meses e a gêmea dele, Natália, só mamou no primeiro mês.

Blog Essa Mãe - Como você fez para cuidar de quatro crianças sem o apoio do seu marido? Teve ajuda dos familiares?
Vitalina - No início foi muito difícil, houve inclusive dificuldades financeiras, mas meus familiares me deram todo o suporte necessário. Precisava trabalhar para manter a família e quando saia estava segura de que meus meninos seriam bem cuidados e tratados com o amor de vó. Ela cuidava de tudo, da alimentação, dos roupas, dos lacinhos dos cabelos das meninas, isso me deixava equilibrada, podia trabalhar sem preocupações. Os meus irmãos se dividiam entre cuidados, conselhos, suporte financeiro e material, reconheciam o meu esforço para dar conta de tudo e sempre foram parceiros na criação dos meus filhos. Após a primeira infância, as necessidades financeiras foram crescendo e, como trabalhava em uma escola particular, não tinha como me projetar profissionalmente. Decidi prestar vestibular na Ufba para o curso de Letras. No mesmo ano, fui aprovada também em um concurso público do estado para trabalhar na Fundac. Durante a faculdade trabalhei no Sesi e na prefeitura de Salvador e as coisas começaram a melhorar.

Blog Essa Mãe - A partir de quando você começou a se sentir mais livre para tocar seus projetos? Quais projetos? Conseguiu concluí-los?
VitalinaTudo foi acontecendo, eu não podia parar, na verdade, eu não parei, continuei estudando, todos os anos faço formação na minha área, estou sempre buscando aprender mais, o meu atual trabalho exige atualização constante em relação às políticas públicas para a educação, o trabalho em sala de aula exige atualização em relação a tecnologia, metodologia de ensino e os desafios sociais e psicológicos que a escola nos apresenta diariamente. Ainda tenho alguns projetos, quero me apropriar mais em conhecimentos sobre a cultura afro brasileira e estou na eminência de lançar um livro, junto com uma amiga, sobre a Comunidade Quilombola da Barriguda, no município de Mucugê. Mas o meu grande projeto de vida é ser feliz e quando reconheço em meus filhos pessoas amáveis, generosas, sensíveis e que sabem respeitar as diferenças, eu me dou conta que soube educá-los nos princípios e valores que acredito e que fazem diferença num mundo tão voltado para as coisas materiais.

Blog Essa Mãe - Você ficou dividida? Precisa trabalhar e precisava estar com eles...
Vitalina - Na verdade, não tive opção, tinha que sustentá-los, mantê-los na escola e só era possível com o trabalho. Aproveitava todos os momentos em que estávamos juntos para intensificar os vínculos, somos muito unidos, muito próximos, somos um por todos e todos por um! Quando estava em casa, fazia questão de assistir aos desenhos junto com eles, brincávamos juntos e nas férias e feriados íamos para a casa do meu irmão em Jauá ou para a casa dos meus parentes em Conceição da Feira. Levava os quatro e a farra era completa.

Blog Essa Mãe - Qual a parte mais difícil de ser mãe de dois casais de gêmeos? Fale um pouco sobre renúncia, cansaço, custos, rotina. 
Vitalina - A parte mais difícil foi enfrentar a realidade de estar só, sem o pai deles, me questionava se saberia dar as orientações corretas, em quem os meninos se espelhariam, quem seria a referência masculina deles. Lógico que a ausência do pai deixou algumas lacunas, mas isso não se transformou em um problema, e o tempo me fez perceber que quando o amor prevalece, todas as outras coisas são acrescentadas. Eu não conhecia a minha força, não sabia o quanto era resiliente, nunca gostei de lamúrias e sempre enfrentei todas as coisas com muito otimismo, positividade e a certeza de que daria tudo certo. A minha rotina era trabalho e estudo. Às vezes saia de um plantão de 24 horas e seguia direto para a universidade, chegava em casa à tarde e estava tão cansada que nem almoçava, preferia dormir, guardar energia para quando os meninos chegassem da escola para poder conversar com eles, saber das novidade, brincar, fazer as lições de casa e colocá-los para dormir, só depois disso, na madrugada, sobrava um tempinho para estudar. Mas isso não era um peso para mim, encarava essa rotina com tranquilidade, acho que vivia tudo isso sem me dar conta da dimensão da situação. 

Blog Essa Mãe - Em algum momento você achou que ia enlouquecer com tantos filhos com idades próximas?
Vitalina - Tenho um temperamento muito calmo e tranquilo, nunca me desesperei, confesso que era uma loucura dar banho em quatro, pentear os cabelos de duas, trocar quatro fraldas, enquanto um chorava, outro corria, outro derrubava o leite, outro riscava a parede! Hoje parece bem engraçado! Mas sempre tinha ajuda de minhas irmãs e até de umas vizinhas que eram apaixonadas por eles.

Blog Essa Mãe - Para finalizar, fale um pouco sobre a interessante diferença entre filhos gêmeos.
Vitalina - A diferença entre eles é muito acentuada, tanto fisicamente quanto em relação à personalidade. É interessante, mas há mais afinidades e semelhanças entre os gêmeos opostos. Sinval tem mais afinidade com Natália e Camila tem mais afinidade com Felipe. O mais enriquecedor é que há uma cumplicidade entre eles, são muito cuidadosos uns com os outros, se conhecem muito bem, um é tímido, o outro é o oposto da timidez, até em altura eles são diferentes, mas todos eles são prestativos, confiáveis e divertidos.

Leia também:




Instagram: @blog.essamae 

Comentários

Postar um comentário

Que bom ter a sua participação! Volte sempre!

Postagens mais visitadas deste blog

Dezesseis dicas para ajudar o bebê a dormir melhor

Uma das coisas que deixam qualquer mãe muito cansada (e até estressada) é o sono intranquilo ou irregular do bebê. Na verdade, é impossível criar uma receita infalível e adaptável a todos os casos, pensando em fazer a criança dormir melhor. Os bebezinhos, como nós, são pessoas (!), com suas dificuldades, manias, vontades e particularidades. Para tentar ajudar quem está passando por essa fase de noites mal dormidas, vou listar alguns truques simples, todos testados com minha filha e com bons resultados. Anote aí! Foto: Ingrid Dragone 1. No início, o bebê tende a trocar o dia pela noite. Assim, desde que ele nasce, é bom ensinar o que é dia e o que é noite. Durante o dia ele deve cochilar com a luz natural e acostumado com todos os sons da rotina da casa. Já à noite, defina um horário, escureça o quarto (pode ser parcialmente, se preferir) e diminua o volume. Fiz isso com minha filha, definindo o game over às 20h. Coincidentemente ou não, é o horário que ela dorme diariamente a

Campanha Lave as Mãos para Pegar no Bebê!

Atenção, mamãe! Não ligue se a sua visita (gente da família ou não) torcer o nariz por "precisar" lavar as mãos para pegar no seu bebê. Percebi que, especialmente, as pessoas mais velhas apresentam maior resistência a esse tipo de pedido, acham frescura. Passar álcool em gel depois da lavagem das mãos? Colocar uma fraldinha em cima da roupa para carregar o bebê? Piorou ainda... E qual o seu papel nessa hora? Ser firme e zelar pela saúde do seu filho!  Você sabia que existe o Dia Mundial da Higienização das Mãos? Pois é! Todo 05 de maio as campanhas se intensificam, lembrando que o simples ato de lavar as mãos previne doenças como infecção nos olhos,  infecção estomacal e respiratória, gripes, resfriados, diarreia, doenças de pele, dor de garganta, infecção no ouvido e erupções na pele. Segundo a UNICEF ( Fundo das Nações Unidas para a Infância) - instituição da ONU (Organização das Nações Unidas) -  e a OMS (Organização Mundial da Saúde), é possível reduzir em até 40%

Fotos do seu filho que você não deve postar nas redes sociais

Está rolando nesta semana uma brincadeira nas redes sociais chamada "Desafio da Maternidade". Trata-se de uma corrente em que as mães marcam outras dez grandes mães, assim por elas consideradas, em suas linhas do tempo do Facebook para que cada uma poste três fotos de momentos que foram marcantes para elas no quesito "ser mãe". O assunto gerou um pouco de polêmica e até há uma suspeita de que a tal corrente tenha sido criada por um grupo de pedófilos para a "coleção" de novas fotos de crianças e divulgação dessas imagens em sites "indevidos". Boato ou não, a questão é que cada mãe toma sua própria decisão sobre postar ou não as fotos dos seus filhos nas redes sociais. Bem, a ideia deste texto é apenas orientar as mamães sobre que tipos de fotos dos pequenos nunca postar.  Foto: Ingrid Dragone  1.  Não poste fotos do seu filho nu  - Não interessa se na imagem ele está tomando banho, trocando a fraldinha, ou experimentando uma roupa no