Mamães respondem

Uma história de adoção - Por que fazer essa importante escolha?

15:06

O amor é o mesmo? É como ter um filho biológico? Haverá problemas futuros? Muitos casais fazem questionamentos como esses diante da possibilidade de adotar uma criança. Às vezes, para tomar essa decisão, é preciso conhecer a história de outras pessoas, como a da administradora de empresas e servidora pública federal Cristiane Nogueira. Ela sempre quis ser mãe e depois de muitas tentativas e diversos tratamentos sem sucesso, pensou, juntamente com o marido, em adotar uma criança. Cris conta que a busca de informações sobre o assunto e o apoio dos familiares foram dois pilares importantes para a sua decisão e diz pra gente como a sua vida se encheu de alegria com a chegada de Amandinha ao seu lar! 

Foto: Daniel Queiroz

Blog Essa Mãe - Por que você decidiu pela adoção? Que idade tinha na época?
Cristiane - Quando tinha 28 anos, comecei a tentar engravidar, fiz vários tratamentos até uns 35 anos (hoje ela tem mais de 45), sem sucesso, porém o desejo meu e de meu marido de sermos pais continuou. Nunca havia pensado em adotar, não havia refletido profundamente sobre o assunto, me parecia algo ligado apenas a fazer caridade, a ajudar crianças em situação difícil. Com o tempo, fomos lendo livros, blogs e sites e nos familiarizando com o assunto. Também conversamos com conhecidos que estavam adotando e pareciam super felizes e realizados. A ideia de adotar foi tomando conta de nossos corações; e digo que o casal precisa estar em sintonia, os dois tem que querer adotar, senão não funciona. Desde o início tivemos o apoio de nossas famílias, o que foi muito importante para nós, e oramos a Deus para que nos mostrasse se essa seria a decisão certa para nós, pois acreditávamos que se fosse da vontade de Deus, tudo daria certo. Minha visão sobre adoção mudou, não adotei para fazer caridade. Acho que devemos adotar uma criança para formar uma família, ajudá-la é consequência. Penso que foi ela quem nos ajudou muito mais, trouxe amor e felicidade para nossas vidas.

Blog Essa Mãe - Vocês ouviram críticas ao manifestar o desejo de adotar uma criança? Como enfrentaram a situação?
Cristiane - Ao contrário, a maioria deu apoio. Lembro apenas de alguém ter colocado que o filho adotivo geralmente é problemático e revoltado. Ora, sempre vi tantos filhos biológicos, crianças ou adolescentes, com tantos desajustes e carências, que sempre acreditei que o problema maior não é ser adotivo ou biológico, mas sim a maneira de criar. É preciso dar muito amor, carinho, atenção, ensinar a respeitar, estabelecendo limites, enfim, todo pai e mãe precisa adotar seu filho, biológico ou adotivo, no coração, que é onde ele deve ficar por toda a vida.

Blog Essa Mãe - Como foi o processo de adoção? 
Cristiane - Longo, cheio de documentos, exigindo muita paciência e fé. Demos entrada no processo na Vara de Infância de Salvador, com todos os papéis solicitados e com o perfil da criança que desejávamos. Aguardamos o deferimento e, devidamente habilitados, tiramos cópia do processo e enviamos para outros Estados e para o Projeto Acalanto, em Ilhéus, pois na época ainda não havia a “fila única” de hoje. Um lindo dia, ligaram de Ilhéus dizendo que nossa filha havia nascido e que a gente podia ir buscá-la...

Blog Essa Mãe - Quanto tempo Amandinha, hoje com quase nove anos, tinha de nascida quando foi adotada?
Cristiane - Amanda tinha 15 dias de nascida quando fomos conhecê-la. Nasceu de parto prematuro, mas estava bem de saúde, embora tivesse apenas 1,700 kg. Viajamos e voltamos no mesmo dia, demos entrada nos papéis por meio de uma advogada e cinco dias depois estivemos perante o juiz que nos deu a guarda provisória. Queria salientar a importância de que tudo ocorra conforme a Lei, para não haver nenhuma confusão e sofrimento no futuro.

Blog Essa Mãe - Por que uma menina?
Cristiane - Não tem um motivo lógico, apenas foi o que surgiu em meu coração, imaginava que ia ensiná-la a cozinhar, brincar de boneca com ela, enfeitá-la...

Blog Essa Mãe - Pensa em adotar outra criança?
Cristiane - Pensei, mas os anos passaram rápido e agora acho um pouco tarde para mim. Tem que ter muito pique para correr atrás de um bebê cheio de energia, então desisti.

Blog Essa Mãe - Alguma situação fez você se sentir "menos" mãe por ter uma filha adotada? Fale um pouco sobre o seu sentimento de mãe. 
Cristiane - Quando trouxe minha filha para casa, o amor que nasceu em meu coração foi tão grande que senti como se ela tivesse nascido da minha barriga. Foi algo simples, inexplicável e grandioso; assim é o amor.

Blog Essa Mãe - Sua filha sabe que foi adotada? Desde quando? Em algum momento ela manifestou tristeza ou algum sentimento ruim com relação a esse fato?
Cristiane - Minha filha soube que foi adotada desde muito pequena, acho que tinha uns três anos. Assim que ela percebeu que os bebês nascem da barriga, comecei a contar que ela não veio da minha, que ela nasceu em meu coração, que Deus a trouxe pra mim. A medida que cresce e me faz mais perguntas, vou respondendo de acordo com a idade. Quando conheço alguma outra criança adotiva ou vejo um filme em que este tema é tratado, sempre a envolvo e conversamos sobre o assunto. Não a exponho, mas tento fazê-la entender que tem uma história de vida diferente de algumas e igual a de outras crianças. O importante é que ela entenda que tem uma mãe e um pai, tem uma família, é querida e amada demais. Até hoje ela não demonstrou tristeza ou algum sentimento ruim em relação ao fato de ter sido adotada.

Blog Essa Mãe - Você já teve atritos com ela por negar alguma coisa e ela reagir como se passasse por isso por ser adotiva?
Cristiane - Isso nunca aconteceu e se acontecer eu não tenho medo de dizer não mesmo assim, pois creio que a criança precisa de limites e não pode ter todas as suas vontades satisfeitas, caso contrário, fica mimada e egoísta. É preciso tratar o filho adotivo igual ao biológico, com disciplina, limites e muito amor.

Blog Essa Mãe - Você já teve medo de se sentir rejeitada por ela um dia? 
Cristiane - Não, porque nós formamos uma família com ela, um laço eterno. Se no futuro ela sentir dúvidas e inseguranças e até quiser conhecer a mãe biológica, vamos passar por isso juntos e ajudá-la a encontrar um equilíbrio, vamos estar sempre ao seu lado.

Blog Essa Mãe - Ela já sofreu algum tipo de discriminação ou preconceito por ser adotada?
Cristiane - Graças a Deus não. As pessoas com quem convivemos mais intimamente e os nossos familiares a amam e tratam igual; nisso somos muito abençoados por Deus. No futuro, pode ser que aconteça, mas prefiro viver um dia de cada vez e continuar a amá-la e ajudá-la a crescer com sabedoria. 

Blog Essa Mãe - Então, depois de ouvir a sua história, posso, com certeza, dizer que você recomenda a adoção...
Cristiane - A adoção foi uma certeza que Deus foi colocando em meu coração. Recomendo a todos. É maravilhoso.



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