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Uma história de mudança para a Alemanha

O papai foi aprovado para uma bolsa de doutorado na Alemanha. A mamãe, com o filhote de dez meses, seguiu o marido e mudou completamente de vida. Essa é a história recente de Laryssa Falcão, casada com Rodrigo há sete anos e mãe de Davi, agora com 1 ano e meio de idade. A psicóloga mineira de 33 anos, que veio morar na Bahia com os pais e irmãos na adolescência e traçou uma trajetória profissional interessante, recebeu a notícia da mudança para fora do país no final da licença maternidade. Ela conta pra gente como está sendo a experiência de viver com a família na Europa, onde não possui vínculos familiares, e ainda sem o domínio do idioma alemão.   


Laryssa está morando com a família há sete meses numa pequena cidade chamada Kaiserslautern.

Blog Essa Mãe - Como foi mudar repentinamente com um filho tão pequeno?  
Laryssa - Bota repentinamente nisso! Eu não tive muito tempo para preparar as coisas da maneira ideal, porque precisávamos nos concentrar na parte da documentação para a viagem. Essa não podia falhar de jeito nenhum e juntando com a rotina de cuidados do bebê... tudo mais deixava de ser prioridade. O que coube na mala, trouxemos, sem direito de olhar pra trás (risos)!

Blog Essa Mãe - Não te deu medo sair do Brasil com um bebê para um lugar em que vocês não têm família?
Laryssa - Sabe que não? Nossos familiares têm uma rotina muito intensa, na maior parte do tempo eu estava sozinha com Davi. Rodrigo, meu marido, até então, saia para trabalhar sem hora pra chegar... E como ele iria estudar na Alemanha fui muito seduzida pelo fato de ele poder estar mais conosco, sem rotina de plantões de madrugada e trabalho nos finais de semana. 

Blog Essa Mãe - Como foi e está sendo a adaptação?
Laryssa - Chegamos na Alemanha em pleno verão, o que facilitou muito a adaptação. Nos primeiros dois meses, Davi teve algumas mudanças de comportamento, principalmente no sono e alimentação. Ele deu os primeiros passinhos com 11 meses, mas, talvez pela quantidade de mudanças nesse período (ele passou por algumas casas e hotéis, e a criança pode ficar insegura com o ambiente), regrediu e só voltou a andar um mês e meio depois. De qualquer forma, tudo seguiu bem. O fato de ter outros casais de brasileiros perto de nós, também com crianças, foi outro fator importante. E quando o frio chegou, quem melhor se adaptou? Davi! Ele parece até ficar mais calmo no frio e dormir melhor. Dorme mais do que dormia nos primeiros meses de vida! 

Blog Essa Mãe - A experiência está sendo boa para a família? Em quais aspectos? 
Laryssa - Estarmos juntos por mais tempo, longe de outros familiares e das coisas de costume, o que tem nos trazido mais maturidade e cumplicidade para resolver as questões práticas do dia a dia. Sair da zona de conforto se fez necessário e estamos tentando aproveitar os aspectos positivos, já que, em qualquer mudança, ganham-se algumas coisas e perdem-se outras. Estamos aprendendo a valorizar também o que há de tão bom no Brasil, como a variedade de frutas e verduras. A adaptação, principalmente para a alimentação do Davi, está sendo um desafio pra mim. 

Blog Essa Mãe - Quando vão voltar? Pretendem voltar? Dá vontade de morar para sempre aí, por conta da qualidade de vida e pensando na segurança para seu filho? 
Laryssa - É muito fácil se acostumar com a segurança e tranquilidade deste lugar, mas a previsão é ficarmos aqui por quatro anos. Destes, já se passaram sete meses. Estamos numa cidade pequena chamada Kaiserslautern, que fica a poucas horas de cidades grandes, como Paris (duas horas e meia de trem). Cresci no interior e gosto desse ambiente mais pacato, mais silencioso. Pra cuidar do meu filho, acho perfeito! Passeio com ele na rua, cato folhinhas no chão, mostro passarinhos o tempo todo, posso ir a parques pequenos ou grandes perto de casa, posso sair de carrinho de bebê e andar tranquilamente nas calçadas ou até mesmo pegar ônibus que se inclinam para a gente entrar com o carrinho. Em todo lugar aqui, qualquer loja, tem espaço para a criança brincar. O silêncio e o respeito ao espaço do outro é muito interessante por aqui. Nossa vizinhança no Brasil me irritava muito, morávamos num prédio perto de ruas movimentadíssimas! O vendedor de jornal passava gritando, o menino do picolé, a moça do mingau tinha uma garganta invejável para gritar os alunos de uma escola noturna próxima... e as buzinas? Por várias vezes acordavam Davi na tão valiosa soneca da tarde... Nós dois conseguimos descansar melhor hoje durante o dia e temos mais opções de atividades, de lazer, sem a inquietação que o excesso de estímulo traz. Sem dúvida, essas coisas têm trazido qualidade ao nosso tempo. 

Blog Essa Mãe - Como era sua rotina com seu filho no Brasil?
Laryssa - O apoio era insuficiente devido às intensas atividades de trabalho dos nossos familiares e deixar Davi na creche antes dos dois anos não era uma opção. Além disso, eu vi que eu não conseguiria retomar o trabalho como antes do nascimento dele. De qualquer forma, eu ia alterar minha carga de trabalho para estar mais junto do meu filho. Hoje meu tempo é todo pra ele, o que é um privilégio pra nós dois, mas não deixa de ser uma rotina cansativa. Aqui não é fácil contratar alguém para ajudar limpar casa, fazer comida, porque serviços dessa natureza são muito caros... é você, o marido e só! Babá também não é costume. Vejo bebês saírem com os pais, já vi mães sozinhas com filhos bebês gêmeos no shopping ou o pai saindo sozinho com o bebê, alimentando, acalmando...  Percebo também uma sensação maior de inclusão, de respeito pela maternidade. 

Blog Essa Mãe - Quando voltar, pretende trabalhar ou esperar um pouco até seu filho ficar maior ou ir para a escola? 
Laryssa - Vai depender muito de como organizarmos a rotina da família na volta para o Brasil. Quero tentar manter os benefícios que ele terá aqui, como, por exemplo, o desenvolvimento em outros idiomas; alemão e inglês. 

Blog Essa Mãe - Você encoraja outras famílias a terem a mesma experiência que vocês estão tendo?
Laryssa - Se tiverem a oportunidade, sim! E para quem tem filho pequeno não é algo tão assustador, mesmo que não tenha ajuda da família. Precisamos nos concentrar nos benefícios. 

Blog Essa Mãe - Qual a parte difícil de estar em outro país com a sua família?
Laryssa - Gostaria que Davi estivesse convivendo mais com os avós e primos. Além disso, no momento, tenho dificuldades com a língua, o que ainda me limita na comunicação, para, por exemplo, marcar o pediatra de Davi e fazer amizades com outras mães para esse início da socialização do meu filho. 

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