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Sobre maternidade e renúncia

Vou ser enfática, só pra começar: quem não sabe fazer renúncias não pode ser mãe. E acho que esse é o ponto chave, é a constatação que faz muita gente perder a cabeça após a maternidade. Ser mãe é se doar muito além do esperado ou imaginado. Tudo passa a ter um ritmo que não é determinado pela nossa própria vontade, mas por alguém que chega pra valer e ganha todo o espaço, até o espaço do pensamento. E a renúncia da qual estou falando pode ser abrir mão do trabalho, do banho demorado, do almoço tranquilo, de ir ao salão, de fazer atividade física, de ter o corpo de antes, de dormir bem e na hora desejada, de sair quando e para onde se queira... E muitas vezes a mãe, essa mulher que cuida, lamentavelmente, não tem quem cuide dela. A maternidade é uma renúncia a si mesma. 



Aqui, na minha primeira gravidez, em 2014. Foto: Renata Grimaldi

O grau dessa renúncia, obviamente, depende da rede de apoio que essa mulher tem e, de alguma forma, vai sofrendo alterações ao longo da vida. Contudo, por um período, essa renúncia poderá doer muito, exigir muito, fazer chorar, entristecer, fazer pensar em algo que ficou para trás, para sempre ou por um bom tempo. E não tem como voltar atrás! E a mulher não vai querer voltar atrás! A anulação por causa do filho é superada por um amor sem medidas, que não exige nada em troca, mas se compraz com um sorriso ou um abraço quentinho. 

Resolvi falar disso porque dia desses de madrugada, depois de levantar para verificar se minha filha estava com frio, acabei despertando e pensei um pouco sobre as minhas escolhas, atividades prediletas, viagens... Mexendo na galeria de imagens do celular, encontrei uma foto em que eu estava pronta para me apresentar diante de uma plateia considerável, no Teatro Castro Alves. Assim, sem mais nem menos, comecei a escrever sobre isso, sobre minhas sapatilhas deixadas de lado...  

A dança é uma das grandes paixões em minha vida. Inegável. Danço desde os cinco anos, já fiz inúmeras modalidades, perdi as contas de quantas vezes me apresentei; amo estar no palco. Me reconheço ali, encontro força ali, dou vazão a sentimentos e expressões naquele lugar. 


A dança, uma paixão.


Antes da minha primeira gravidez, 2014, fiz questão de participar de uma apresentação que aconteceu numa etapa marcante pra mim na minha vivência com a dança. Ensaiei muito, vivi momentos de exaustão, de intensa alegria, e de satisfação pessoal. Senti que fechei um ciclo. Em seguida, tive minha filha. Quando ela já estava com uns sete meses (eu acho), voltei a dançar, mas, obviamente, sem tanto tempo pra me dedicar à atividade e num ritmo menos acelerado. Estava sendo bom recomeçar, fazer o realinhamento, ter um tempo só meu, da Ingrid bailarina. Lembro que, desconfiada da minha segunda gravidez, continuei a fazer as aulas mais um pouquinho, só pra render por alguns momentos o meu prazer de casar movimento com música e vencer cada desafio imposto pela disciplina da dança. Nem cheguei a participar da aula pública, para a qual a minha turma já vinha se preparando. 


Parei de novo a dança. Faz parte da vida perder algo para ganhar outra coisa. Estou grávida de um menininho e, quando der, volto a dançar. Não imagino em quanto tempo, mas volto. Vou encontrar uma forma, uma brecha na minha rotina de mãe de dois. A dança mora em mim, faz parte da minha formação pessoal. Não dá pra esquecer algo tão nosso assim... ♥ Qual o seu sonho? O que te realiza? 


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