dia a dia

A pequena bailarina e uma tristeza

12:52

Tinha oferecido o melhor de si no palco e, pequenina, já entendia o peso da sua responsabilidade para o êxito do espetáculo da escola de ballet. Fantasias entregues, sapatilhas guardadas na mochila, cabelos armados de gel e rostinho brilhando da maquiagem. Ela havia dançado feliz e estava pronta no camarim para deixar o teatro. Tudo deveria estar bem. Deveria... Na saída, como de costume, via os pais das outras meninas elogiando as filhas e lhes entregando flores pela bela apresentação, mas seu pai não estava lá para recebê-la. A mãe e irmãs, sim. O papai, não.

Essa Mãe aos seis anos.

Essa garotinha da história sou eu. Danço desde os cinco anos de idade e sempre tive o incentivo da minha família, mas doía não ter a presença do meu pai nos dias de festival de dança. Passava o ano inteiro fazendo aulas e aquele momento era o ápice para mim (e para todas as minhas colegas). Que meu pai dormisse o espetáculo inteiro, achando entediante ver tantas crianças ainda sem coordenação, em coreografias simples, mas queria que estivesse na plateia, atento ao meu momento de estrela mirim.  

Até hoje sinto tristeza ao lembrar disso. Para mim, estar ali, no palco, significava muito e tinha o desejo de que meu pai não apenas pagasse com gosto as mensalidades e me levasse para as aulas (sou eternamente grata a ele por ter investido em meus muitos anos de dança), mas me desse o privilégio de ver o que eu havia aprendido em horas e horas de ensaio e estava e disposta a mostrar ao público. A dança sempre foi e sempre será uma paixão em minha vida.

Por que estou contando essa história? Não é para falar mal de meu pai (amo, ele sabe, e está perdoado! rs), não é para cobrar nada dele a uma altura dessa, mas para fazer um alerta. Com tudo isso, e agora mãe, vejo a importância do incentivo e da presença dos pais em situações e experiências consideradas relevantes pelos filhos. É bom saber que quem você ama está por perto, torcendo pelo seu sucesso, vibrando pelo seu desempenho. 

A ausência do meu pai nos dias de espetáculo me marcou. Era como se sempre faltasse algo especial para tornar aquele acontecimento perfeito. Meu herói não me via brilhar. E eu guardava, resignada, a inveja que sentia das outras meninas, tão lindamente mimadas por seus papais. Talvez eles também achassem tudo aquilo muito chato. Suas filhas não precisavam saber. Queriam, como eu, o abraço carinhoso no final.   

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