ser mãe

Nasce o irmãozinho, nasce o ciúme da primogênita

08:57

No início, ela achou graça daquele toco de gente que chegou em casa de surpresa. Depois percebeu que o pequeno visitante não era apenas um visitante. E o pior: ele vivia pendurado no peito da mãe dela e roubava dela as horas intermináveis de atenção exclusiva e brincadeiras. Essa é a atual história da minha família. Com apenas um ano de sete meses, minha primogênita acaba de ganhar um irmãozinho. Doce como sempre, embora faça carinho nele (não pode chegar perto que cheira, faz carinho e beija), ela vem demonstrando ciúmes das mais diversas formas: fazendo birras inéditas, rejeitando algumas das minhas investidas de aproximação, chorando mais que o normal, pedindo mais colo e querendo fazer uso de algumas coisas do irmão. 


Aqui estávamos na casa dos meus sogros, no interior. Meu filho tinha nascido há vinte dias. Esse momento foi marcante pra mim. Consegui um tempinho pra brincar com minha princesa no jardim. Foto: Daniel Vaz

A mudança do comportamento começou até um pouco antes, no final da minha gravidez, quando já não podia dar a ela tanto colo por conta do tamanho da barriga. Durante a minha internação na maternidade, ficou alguns dias sem mim. Agora me vê com outra criança nos braços e, para completar, fiquei uns vinte dias impedida de carregá-la - orientação expressa da minha obstetra para o período pós-parto. 

Confesso: chorei algumas vezes. Por sentir falta de estar mais com ela, por sentir que estou negando a ela um tempo precioso para nós duas, por ver o sofrimento dela disfarçado de malcriações. Diante do turbilhão do primeiro mês com um recém-nascido, busquei (e tenho buscado) brechas no dia para me dedicar a minha pequena. Fato: preciso deixar a culpa de lado (tudo isso vai passar, e rápido!), preciso ser mãe de dois.

Aos poucos, com as novas possibilidades de movimento do meu corpo e com a adaptação a minha nova rotina, como mãe de dois bebês, estou conseguindo me enxergar mais mãe dela novamente. Quando o caçula completou um mês (o tempo correu muito depressa!), pude avaliar melhor o comportamento da minha menina e passei a criar estratégias para driblar as birras sem deixar, claro, de educá-la. Pude também brincar mais, me jogar no chão junto com ela. A cada dia celebro a nossa "reaproximação", o carinho cada vez mais recíproco (estava sentindo falta dos beijos e abraços que ela sempre me deu e começou a negar com a chegada do irmão). Não posso só discipliná-la nesse momento, porque sei a causa do mau comportamento que até então não existia. Não posso ignorar que ela é muito pequena, tem sentimentos e maturidade zero para administrar a presença do seu "concorrente".

É bem verdade que o problema diminuiu de tamanho conforme fui me tranquilizando a respeito. O cansaço das noites mal dormidas, por causa da livre demanda (mamadas), junto com essa nova demanda da minha primogênita para a minha vida de mãe, e a rotina ainda mais cheia de tarefas, de fato, me levaram a momentos muito difíceis, daqueles em que a gente se pergunta o que fazer e não encontra respostas porque a exaustão bloqueia tudo em nossa mente.

O meu marido (companheiro de todas as horas) não tem deixado faltar lazer e atenção para minha princesa, mas a gente sabe que o que ela quer é ter também a sua mãe por completo. As coisas estão entrando no eixo, aos poucos ela vai aprender que não é o centro do universo. Tenho agora a importante missão de pensar e agir não pelo amor dividido, mas pelo amor multiplicado.


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