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Essa Mãe de dois (bebês)

Louca e corajosa. Já me adjetivaram das duas formas por decidir ter o segundo filho um ano e sete meses após o primeiro. Uma mãe de gêmeas chegou a me dizer que sou guerreira, porque teria uma experiência como a dela. Minha mãe pediu que esperasse mais, já que minha irmã do meio é um ano e dois meses mais nova que eu e não foi fácil pra ela maternar nessas condições. Outras pessoas apoiaram completamente. Um obstetra, por exemplo, me disse que a filha fez a mesma escolha e estava super feliz com o andamento das coisas e com amizade entre os filhos com idades próximas. 

A verdade é que estou me surpreendendo com a minha, digamos, "performance" como mãe de dois bebês.  Até a moça que trabalha aqui em casa disse que fica impressionada comigo, com a forma como cuido dos dois, sem praticamente pedir ajuda. Não vou dizer que é fácil nem vou negar que gosto quando alguém da família aparece aqui para me apoiar, mas dá pra criar estratégias e manter uma rotina mais ou menos em ordem, deixando de lado a culpa, o radicalismo, e um pouco do perfeccionismo. Bem, vou relatar nesse post, em dez tópicos, algumas das minhas experiências recentes. Venha comigo e pense aí se sou louca ou corajosa!



Essa Mãe carregando seus pacotinhos. Foto: Daniel Vaz


1. No Dias dos Pais decidi que sairia pela primeira vez para almoçar com a família completa (risos). Seria um desafio! Para minha surpresa, deu tudo certo. O bebê de pouco mais de um mês dormiu o tempo todo no carrinho embalado pelo ruído de fundo do restaurante. A minha filha foi facilmente entretida com os desenhos que colocamos para ela no celular. Tá! Eu não gosto de dar celular pra ela brincar, mas nessa hora é um santo recurso! Eu dou um duro retado todo dia e mereço almoçar "toda phyna" num restaurante que adoro, né? Já a segunda saída para almoçar não foi tão bem sucedida. A minha filha estava com muito sono e abusou um pouco. Meu filho não pregou os olhos e pedia colo - só consegui almoçar com ele nos braços...

2. Tenho que, diariamente, ver o que é prioridade diante de cada situação. Cuido dos dois e de mim (não posso esquecer, por exemplo, de beber bastante água, por causa da amamentação). Há momentos em que os dois pequenos estão com a fralda cheia de cocô ou com fome... Eu também preciso ir ao banheiro e comer... E aí? Aaaahhh! Rola uns biscoitinhos para a minha filha, coisa que ela se vira bem comendo sozinha e sem fazer muita meleira, enquanto amamento o mais novo. Rola trocar a fralda primeiro de quem está mais "prejudicado". Rola também dar ao mais novo o remedinho de cólica junto com a chupeta para ele "curtir o docinho" e parar de chorar quando a menina já está dormindo... Penso estrategicamente todo o tempo, num ciclo de cuidados que, na medida do possível, prioriza cada um de nós, numa espécie de rodízio.

3. E a minha ida ao Detran para a renovação da carteira de habilitação? Não tínhamos com quem deixar a princesa e não podíamos deixar o mais novo, que mama no peito. Sim, levamos os dois. Recebi, obviamente, uma senha de prioridade no balcão de atendimento. O processo lá foi até bem rápido. O que nos tomou um tempo enorme foi a série de cuidados com as crianças. O baby quis mamar, teve cólica e precisou ser trocado. A princesa resolveu fazer cocô também. Ficamos exaustos, mas dei risada da situação.

4. Semana passada, para completar a trabalheira, meu marido teve um curso na empresa no período da noite. Isso me quebrou, já que ele coloca a princesa pra dormir e eu coloco o baby. Bem, tive que cumprir, completamente só, toda a rotina noturna com os dois. Me vi, nesse contexto dramático, ninando a mais velha no colo, com um braço só (ela está com mais de 10 quilos e eu sinto dores na coluna por conta da anestesia do último parto), enquanto consolava o mais novo, que estava no berço num momento pós-cólica. Sufoco... 

5. Deixei de lado as coisas de casa. Estou aprendendo a delegar. Notei que o estresse maior não seria cuidar das duas crianças, mas cuidar delas e das coisas domésticas ao mesmo tempo.

6. Além de tudo isso, tenho que administrar o ciúme da princesa (toda hora pede colo e minha atenção) e a carência do baby, que em pouquíssimo tempo, sem que a pediatra acreditasse, ficou viciado em colo! Fico treinando o pequeno o dia inteiro para que fique desgrudado de mim. Um pouquinho no carrinho, um pouquinho na minha cama, um pouquinho no berço, com móbile, de bruços, de barriga para cima... Para completar, ele só mama se eu estiver calada e num ambiente sem barulho... É mole? Além disso, ele começou a rir (de verdade e para nosso espanto) das nossas brincadeiras com pouco mais de um mês, o que me fez desconsiderar a opção de deixá-lo mais "restrito" ao canto dele. Ele é encantador (risos)! O que a gente faz, produção? 

7. É preciso abstrair na hora que os dois choram ao mesmo tempo, encarar aquilo como o alarme de cada um, e fazer o que deve ser feito. Caso contrário, a gente pira!

8. O segundo filho é "mais leve". A gente sabe o que fazer com ele e está mais segura. O que era meio dramático com o primeiro, passa a ser mais tranquilo com o segundo.

9. O ser humano tem a capacidade de se adaptar a novos contextos, graças a Deus!!! Quando fiquei sozinha com os dois pela primeira vez achei que não ia dar conta, achei que ia enlouquecer. Claro, era tudo muito novo, mas até que me saí bem. A gente acostuma com a pauleira, sabe? A cada dia a rotina fica mais afinada. 

10. Eu quis assim, agora tenho que assumir a minha condição de mãe de dois pequenos. Cansa, mas também traz alegria!  

E aí? Já pensou? Sou louca ou corajosa?

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Instagram: @blog.essamae 

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