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Minha gravidez em tempos de Zika Vírus

Tinha acabado de voltar da semana de comemoração dos meus cinco anos de casamento, já estava grávida do meu segundo filho, e comecei a ser bombardeada com notícias sobre a descoberta da relação entre o Zika vírus e o nascimento de crianças com microcefalia. Olhei para mim e pensei... estou cheia de picadas de mosquito recém-adquiridas. Daí em diante, só tensão. Na televisão e em todo lugar só se falava disso. Passei toda a gestação usando mangas e calças compridas, sapatos fechados, vestindo pijama em casa, e evitando viagens e passeios. Tinha gente que achava graça e tinha gente que admirava minha rotina cheia de cuidados. Eu sabia o que estava fazendo. Só quem passa por isso sabe como é.



Com 25 semanas de gestação. Foto: Daniel Vaz

Os amigos e familiares, preocupados, também sempre traziam novas orientações e alertas, o que me fazia girar em torno da questão novamente. Queria esquecer aquilo, mudar de foco, mas era difícil. E o pior de toda essa história foi ter sido picada por um mosquito da dengue, dentro de casa, à noite, no primeiro trimestre da gravidez. Só me sinto à vontade para falar desse episódio agora... 

O desespero bateu em mim. Chorei tanto naquele dia. Tive medo, muito medo. Sabe quando uma coisa tem que acontecer? Moro no 13º andar, difícil um mosquito chegar tão alto, salvo pelos elevadores, e a picada ainda aconteceu num horário que normalmente esses insetos não costumam agir. Como se não bastasse, pensava: na maioria dos casos a doença não manifesta sintomas. O jeito foi mesmo conviver com a incerteza. 

Liguei para minha obstetra no dia seguinte chorando bastante. Ela conversou comigo como uma mãe, me deu colo, sentiu medo junto comigo. Fui orientada a fazer cada ultrassonografia da gravidez com um médico conceituado de Salvador, para evitar que a variação de equipamentos e profissionais da área pudesse mostrar diferenças nos exames quanto à medição da cabeça do bebê. 

Orei muito durante toda a gravidez. E creio mesmo que nada disso aconteceu por acaso. Precisava ter mais fé em Deus, sair da minha, às vezes persistente e ilusória, sensação de controle das situações. Bem, não tem como fugir do que Deus traça para nós, para nossa vida. 

Depois de um tempo, quando já estava mais tranquila - sempre evitando o assunto e assistir aos noticiários - vi um vídeo na internet que me tranquilizou. Um médico explicava que o fortalecimento do sistema imunológico da gestante protege o seu bebê da doença. Ele recomendava o uso de vitamina D de 10.000 unidades. Com isso, relaxei um pouco mais, porque tinha começado a tomar a vitamina desde antes de engravidar e dificilmente pego gripe. Compartilhei a notícia com minha obstetra, que também acreditou na verdade daquela informação. O médico entrevistado também dizia que achava um absurdo o poder público aconselhar as mulheres a não engravidar, pois, na verdade, ninguém sabe quando esse problema será sanado no Brasil. A chave, para ele, era a imunização.

Conforme o tempo foi passando - e ainda bem que a minha segunda gravidez passou rápido, já que tinha a minha pequena para cuidar -, os exames iam mostrando que estava tudo bem. Era um alívio toda vez! De qualquer forma, confesso, de verdade, que o sentimento mais maravilhoso de gratidão a Deus foi no momento de nascimento do meu filho. Quando ele saiu da minha barriga, olhei logo para a cabecinha. Era perfeita, muito linda mesmo, feitinha à mão. Meu marido, que sempre se mostra uma fortaleza nos momentos difíceis, justamente para me dar apoio, também me disse que fez o mesmo. 

Digo as pessoas que não foi fácil, e que o período da minha segunda gravidez foi sinônimo de reclusão e renúncia. Evitei os riscos, na medida do possível, me protegi como podia, e conversei muito com Deus. 


Leia também:




Instagram: @blog.essamae 

Comentários

  1. Boa tarde, Ingrid! Topei com o seu blog por acaso, mas adorei. Tenho um bebê de 5 meses e 4 semanas e me identifiquei com vários dos seus posts. Esse sobre a gravidez em tempos de zika, em especial, mexeu comigo, me fez lembrar do medo, das roupas compridas em pleno verão, do choro desesperado depois de uma picada de pernilongo (justo aquele), do alívio seguido de apreensão em cada ultra, das conversas com Deus... Parabéns! Continuarei meu tour pelo blog!

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    Respostas
    1. Olá! Desculpa! Só vi seu comentário agora. Acho que estava com algum problema aqui no sistema. É tão bom quando a gente se identifica com a história de outra mãe, né? A gente não se sente só! Bj e tudo de bom para você e sua família!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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