Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de 2021

Três anos em Portugal e um livro infantil sobre mudança de país

Neste mês, faz três anos que nós partimos do aeroporto de Salvador para a mais desafiadora "aventura" das nossas vidas. O destino? Portugal ou "nova vida", se quiserem chamar.  Naquele momento, não carregávamos somente dez malas, duas mochilas de notebook e um carrinho de bebê. Havia ali uma imensa bagagem emocional, cheia de expectativas, saudade, sonhos, um cadinho de medo e, contraditoriamente, a coragem gigante que nos fez deixar para trás muito do que já havíamos construído. Pousamos em terras lusitanas sem parentes, sem amigos, sem casa própria, sem carro, sem ter a exata noção do que nos esperava, mas esperávamos o melhor. E, nessa espera vivida, havia dias de sorriso e dias de lágrimas. Claro que existe nostalgia, afinal somos feitos do caminho que trilhamos. Contudo, estamos aqui, bem e em paz. Estaremos até quando sentirmos que o lugar é aqui, embora parte do nosso coração pulse em outro continente. Para celebrar esses três anos de mudança, acabo de lançar

"Moda para mães"

É comum vermos pessoas criticando as mães por causa das suas calças legging, pelo abandono do salto alto e pelo coque que, não raro, as salva no dia em que foi impossível lavar os cabelos.  Que saco, hein? Deixem as mães com seus "looks", suas opções para o agora! Cada uma vive o seu processo de autoconhecimento e renascimento de maneira única. Há ali em sua imagem atual um simbolismo profundo, uma nova compreensão sobre si e sobre si no mundo! A indústria da moda está mesmo aí para nos deixar "cafonas" ou "cringe" (para citar a gíria do momento) a cada nova estação. Aliás, o número de coleções há tempos já ultrapassou o número de estações do ano... Então, deixem as mães à vontade para negar sobre SEUS corpos a estética estabelecida pelo mercado, se assim desejarem! Na verdade, impor padrões para o "desleixo" ou impor padrões "fashionistas" é censura de qualquer maneira. Concorda? Deixem quem gosta de salto alto usar salto alto. Deixem

Ensine a sua criança a nomear emoções

Para o seu pleno desenvolvimento, nos diferentes ambientes em que convive, a criança deve ser ensinada sobre competências socioemocionais. Ela tem contato com diversas emoções cotidianamente, como raiva, alegria, vergonha, medo, tristeza e frustração. Diante delas, reage de muitas maneiras: fica eufórica, nervosa, grita, chora, ri, age agressivamente... Todas as emoções são normais e integram o nosso processo de evolução, sobrevivência e aprendizado. Contudo, quando a criança aprende a identificar, reconhecer, entender e comunicar emoções, ela aprende a se relacionar com ela mesma, com outros e com o mundo de forma menos conflituosa. Pais e educadores são fundamentais nesse processo. Devem auxiliar a criança a compreender o que sente, encorajá-la a expressar sentimentos, apoiá-la enquanto se manifesta, ensinando novas maneiras de dizer o que sente e estratégias para que possa resolver o conflito em questão. Ela pode se sentir frustrada, por exemplo, e ser acolhida por um adulto de sua

Ser ou não ser mãe?

Mulheres que ainda não são mães às vezes me falam que se assustam com o teor dos textos divulgados na Internet sobre os desafios da maternidade. Algumas dizem que já não sabem se querem ser mães. Outras preferem esperar mais um pouco. Há quem diga que está se preparando psicologicamente para a nova condição, mesmo sem previsão de gestar. A verdade é que muitas mulheres sofrem pressão externa para abraçar a maternidade como uma missão do “ser feminino”. Nesse lugar, ficam desconfortáveis, como se não tivessem escolha, como se a maternidade fosse um "destino obrigatório" para todas. A maternidade é uma decisão sem volta e que muda por completo a vida de uma mulher. Embora esteja lendo muitos relatos de mães, até ter uma criança nos braços, sob a sua responsabilidade, ninguém sabe o que é o maternar. A experiência profundamente transformadora nos traz alegrias, medos, angústia e a ceifa da liberdade. A maternidade é vivida de maneira particular por cada mulher. Há coisas em comu

O jantar caótico e o caos materno

A mesa do jantar está posta, mas não há ordem. As crianças não comem. As gargalhadas parecem não ter fim, assim como as migalhas de pão pelo chão da cozinha. Vez ou outra um dos filhos se levanta, vagueia pela casa e volta, sem respeitar o momento em família. No caos, alguém se excede e grita: "cheeeeega!". Alguém? Quem? A "louca" da mãe. Claro. E quais motivos ela teria para explodir daquela maneira? Afinal, ela só estava sem dormir por duas noites, monitorando a cria adoentada, além disso estava de TPM e tinha passado o dia inteiro só arrumando as coisas da casa e sanando as necessidades das suas crianças pequenas, enquanto seus cabelos permaneciam indesejavelmente sujos e as unhas por fazer. Que direito ela tinha de berrar daquela maneira, assustando a própria família e sendo mal-educada, mau exemplo, descontrolada e perturbadora da paz da vizinhança? Como ela podia ser tão sem noção, imprudente, amalucada mesmo? Aquele grito não foi causado pelo circo que se ins

Será que é mesmo música infantil?

Você já prestou atenção na letra dessa tradicional "música infantil"? Então, veja tudo de negativo que ela ensina às crianças: ➡️ Incentiva o namoro através de uma "brincadeira". ➡️ Legitima o beijo sem consentimento e o toque sem autorização. ➡️ Mostra que o menino/homem tem poder sobre o corpo da menina/mulher. ➡️ Enraíza ideias que tornam banais o abuso sexual. ➡️ Objetifica o corpo da menina/mulher. ➡️ Normaliza a falta de respeito, a invasão. ➡️ Mostra que depois do não da menina/mulher, o menino/homem pode, ainda assim, agir e fazer o que bem quiser. ➡️ Traz sentido dúbio. Qual o outro lado, o lado que não é o da boca? ➡️ Coloca o menino/homem no lugar do opressor e a menina/mulher no lugar da oprimida. Ambos sofrem consequências nesses papéis. ➡️ Demonstra uma "aceitação" da menina/mulher após a consumação do ato. Para muita gente, parece bobagem se preocupar com esse tipo de coisa, mas não é! Não podemos normalizar o abuso sexual . Essa música é um

Ensinamentos sobre o consumo consciente na infância

Você já refletiu sobre o  grande estímulo que nós recebemos para comprar e ter cada vez mais coisas? Muitos produtos são apresentados às pessoas como necessários. O problema, na verdade, não é o ato de consumir em si. O problema é consumir sem critério e sem pensar nos impactos do nosso consumo, tanto no contexto global, como na  criação dos nossos filhos.  Consumo e ato político ➡️ Todo consumo gera um impacto sobre a natureza e a mão de obra utilizada. ➡️ Nosso consumo está produzindo efeitos negativos ou positivos? ➡️ Consumo consciente não muda tudo, mas pode ser o início de muitas mudanças sociais, econômicas e ecológicas. ➡️ Cidadãos conscientes exigem mudanças de empresas e governos. ➡️ Nossa consciência começa em decisões de compra. "Compro isso somente para ter ou compro isso porque é necessário?" ➡️ Consumir conscientemente é também aprender a dizer aos padrões que nos impõem. ➡️ Quando possível, vamos priorizar a contratação de serviços e a compra de produtos de em

A maternidade figurada nas redes sociais

O maternar de fulana ou cicrana não é o que você vê nas redes sociais. Eu te garanto. Claro que há mães vivendo a maternidade de maneira mais leve, porque tomaram decisões que as permitem respirar e cultivar amor próprio. Por isso, digo: siga mães incríveis (elas existem e são muitas), mas não fique frustrada com a sua vida real de mãe. Você pode se inspirar em alguém, mas não pense que na casa da sua influencer preferida não rola birra, joelho ralado, comida rejeitada na hora do almoço e outros (mil) “contratempos” intrínsecos à rotina materna.   A partir de agora, você não precisa tomar raiva da mãe influenciadora, nem parar de segui-la. Algo de bom ela pode estar trazendo para você. Use o seu filtro interno e capte ideias, dicas e formas de fazer. Ela não está ali para te frustrar. Muitas vezes, ela pode estar ali convencendo a si própria sobre felicidade plena ou mesmo animando outras mães, com bastante positividade e fotos incrivelmente lindas. Lembre-se: tudo o que ela posta é ap

Oito critérios para escolher um bom livro infantil

As livrarias e editoras oferecem centenas de opções de livros infantis e, muitas vezes, os pais ficam sem saber como selecionar os títulos que vão fazer parte da biblioteca dos seus pequenos. Por isso, trago neste post oito critérios para ajudar você a escolher livros de qualidade para seu filho! Anote aí!  1. Originalidade / importância do tema. 2. Classificação etária (linguagem adequada à idade da criança). 3. Qualidade do texto (clareza, trabalho realizado com as palavras e correção). 4. Referência autoral ou afinidade com quem escreveu o livro. 5. Qualidade estética das ilustrações. 6. Relação entre texto e imagens. 7. Edição cuidadosa e bom projeto gráfico (capa, qualidade do papel, qualidade da diagramação e qualidade da impressão). 8. Possibilidades de exploração do tema a partir da maneira como ele está sendo representando. 💗 Gostou das orientações? Compartilhe com outras famílias leitoras!  Conheça os meus "filhos de papel": 📖 A caracol que não sabia desapegar 📖